segunda-feira, 20 de junho de 2016

OS PRECEITOS





































Relicário de Manuel Mar.

Os Preceitos!

Um poeta autêntico tem preceitos,
Que cumpre como mandamentos,
Nunca se desvia dos seus conceitos,
Num relato fiel de acontecimentos.

Romanceando sempre as palavras,
Tem pelo semelhante complacência,
Não faz das palavras suas escravas,
Contra a dureza usa complacência.

Porque quem vive fora de preceitos,
E aceita viver o amor em poligamia,
No peito já a pura chama não arde.

Pode até dosear com enfeites e jeitos,
Utilizando uma maravilhosa fantasia,
Mas, será sempre um poeta covarde.

Manuel Mar.
®
Torres Novas, 20/06/2016

Foto: Net

LEMBRANÇAS DE CRIANÇA


























Relicário de Manuel Mar.

Lembranças de Criança!

A minha primeira lembrança,
Eu era ainda bem pequenino,
No florir da idade de criança,
Era já miúdo muito traquino.

Em 1941 e no mês de Fevereiro,
Houve na aldeia em que vivia,
Um ciclone mesmo verdadeiro,
Que deu ao povo um triste dia.

A casa de meu pai nada sofreu,
Mas a casa da minha boa avó,
O dito ciclone toda a derreteu
Ficou destelhada e feita em pó.

A minha avó cedo de lá fugiu,
E foi para a casa do meu pai,
À janela do quarto tudo se viu,
E todos só diziam: ai aí, ai aí.

Muitas árvores caíram ao chão,
Tanta força tinha essa ventania,
A minha avó perdeu o barracão,
O ciclone passava e só destruía.

Manuel Mar.
®
Torres Novas, 20/06/2016

Foto: Net

domingo, 19 de junho de 2016

A CRUZ DE CRISTO






















Relicário Manuel Mar.

A Cruz de Cristo!

Naquela manhã escura e sanguinária,
Levaram os algozes Jesus,
Debaixo da cruz,
Até ao monte das oliveiras.
Ali chegados, pregaram-no cruz,
De pés e mãos com cravos de ferro,
E ergueram Cristo no meio de dois ladrões,
Também eles à morte já condenados.
Colocaram a Jesus uma coroa de espinhos,
E o sangue já corria derramando-se no chão.
A Virgem Maria Mãe de Jesus chorava
Cheia de aflição e dor no seu coração,
E as suas lágrimas escorriam sem parar.
Pode-se imaginar aquilo que Jesus
Deve ter provado; uma dor lancinante.
Ao meio-dia Jesus tem sede.
Não bebeu desde a tarde anterior.
Um soldado lhe estende
Sobre a ponta de uma vara,
Uma esponja embebida em bebida ácida.
Tudo aquilo é uma tortura atroz.
A respiração se faz, pouco a pouco mais curta.
O ar entra com um sibilo,
Mas não consegue mais sair e Jesus sufoca.
Porque Jesus quer falar:
 "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem".
Logo serão três da tarde.
"Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?"
 Jesus grita: "Tudo está consumado!".
Em seguida num grande brado disse:
"Pai, nas tuas mãos, entrego o meu espírito".
E morre.

Manuel Mar.
®
Torres Novas, 20/06/2016

Foto: Net

NOSTALGIA É TRISTEZA
































Relicário de Manuel Mar.

Nostalgia é Tristeza!

A nostalgia gravada na alma,
Marca as tristezas do passado,
Nem a alegria a muda e salva,
E deixa o destino bem marcado.

É passear no jardim da memória,
Só vendo folhas mortas pelo chão,
E obscurecendo a passada glória,
Que agrava a sua vida de solidão.

Nesta situação para ir em frente,
É preciso fortalecer a consciência,
Ganhando uma nova fé ardente,
Com forte esperança e paciência.

É necessário arquivar o passado,
Deixá-lo selado atrás dum muro.
Viver em ambiente bem arejado,
Sonhar com felicidade no futuro.

Se o dia for cinzento vê-lo lindo,
Sem pensar nunca em nostalgia,
Falar com os amigos e sorrindo,
E poderá ver ressurgir a alegria.

Manuel Mar.
®
Torres Novas, 19/06/2016

Foto: Net

FAZER O BEM SEM OLHAR A QUEM




































Relicário de Manuel Mar.

Fazer o Bem sem olhar a Quem…

Fazer o bem sem olhar a quem,
Mas não esperar nada em troca,
Porque ao fazer bem a alguém,
Qualquer pessoa já se sente bem,
Em busca da felicidade se coloca.

Muita gente procura a felicidade,
A trabalhar e amontoar dinheiro,
E poder viver e com estabilidade,
Porque a dura e crua realidade,
Não é ter bem cheio o mealheiro.

Às vezes a fortuna do homem rico,
Faz seu filho viver bem, ser nobre,
O filho gasta tudo e vive ao fanico,
Acaba a vida já feito em maçarico,
E o neto não passa de triste pobre.

Saber viver é pensar a vida eterna,
Nenhum dos bens que nós juntamos,
Que podem servir de ajuda fraterna
Se para a vida eterna nada levamos,
Juntemos as bênçãos da ajuda terna.

A nossa felicidade emana da doação,
Com que ajudamos os outros a viver,
É preciso ter amor no nosso coração,
À semelhança de Deus, O Divino ser,
Tudo passará! A palavra de Deus não.

Manuel Mar.
®
Torres Novas,19/05/2016

 Foto: Net

PROTESTO MUSICAL

















Relicário de Manuel Mar.

Protesto Musical!

Quando as mudanças são radicais...
Muitas vezes fica pior do que estava,
A música nacional se mal já andava,
Ainda foi trocada por músicas banais.

O serviço público de rádio antena um,
Transmite a montes de música de fora
Alguma estrangeira de quem cá mora,
De má qualidade e sem critério algum.

A rádio portuguesa deveria ser nossa,
E dar-nos da bela música portuguesa,
E não da estrangeira de má qualidade.

Nessa, só o noticiário não me faz moça,
Mas fecho-a logo, podem ter a certeza,
Não dar música portuguesa é maldade.

Manuel Mar.
Torres Novas, 19/06/2016
Todos os direitos reservados

Foto: Net

È A FÉ QUE NOS SALVA





























Relicário de Manuel Mar.

É a Fé que nos Salva!

O homem de fé tem um dom divino,
Que possui o fulgor do Sol na aurora,
Que lhe ilumina a estrada do destino
Porque a protecção de Deus implora.

Porta consigo uma força redobrada,
Que lhe revigora a alma noite e dia,
Vivendo a vida por Deus abençoada,
Usando os bens da terra com alegria.

Deus deu tal bem a todo o homem!
Porém aquele que a fé não aceitou,
Jamais poderá conhecer o seu valor.

Os que recusam a fé de Deus fogem,
Nem aceitam as Leis que Ele pregou,
E sem fé ignoram um Deus de amor.

Manuel Mar.
®
Torres Novas, 19/06/2016

Foto: Net

sábado, 18 de junho de 2016

QUADRAS À TOA
























Relicário de Manuel Mar.

Quadras à Toa…

A minha vizinha tinha um cão.
Que namorou a minha cadela,
Namorei a vizinha na ocasião,
Assim a coisa ficou ela por ela.

Não te deixes ir em cantigas,
Só porque isso se ouviu dizer,
O que tu não sabes não digas,
Porque te podes arrepender!

Desejos, quem os não tem?
Todos nós podemos desejar,
Mas haverá sempre alguém,
Que não os saiba controlar.

Quem amanha o seu saber,
Não semeia lá num deserto,
Se tem vontade de aprender,
Faz apenas o que está certo.

O homem não se acobarde
Quando pretende renascer,
Não é cedo nem será tarde,
Sempre que ele quer viver.
                     
                 Manuel Mar.
                  ®
Torres Novas, 18/06/2016

Foto: Net

O PRAZER SUPREMO




























Relicário de Manuel Mar.

O Prazer Supremo!

Parecia ser início de miragem,
Quando vi aquele lindo olhar,
Mas a sua tão esbelta imagem,
Era de quem eu desejava amar.

Ajudado apenas pelo devaneio,
E sentindo um fluir de coragem,
Como a de fã com palmo e meio,
Fui de cabeça, fiz a abordagem.

Ela me aceitou com reticências,
Mas ficámos mesmo namorados,
Com um namoro muito sereno.

Mas o amor cresceu em furacão,
Desfrutado com grande paixão,
Que gozámos o prazer supremo.

Manuel Mar.
®
Torres Novas, 18/06/2016

Foto: Net

REZO AO SENHOR

























Relicário de Manuel Mar.

Rezo ao Senhor!

Na verdade, tenho receio da vida,
Foi a doença que já me debilitou,
A minha alegria está obscurecida,
Uma embolia pulmonar o causou,
E agora temo ainda uma recaída.

Recuperei graças ao Senhor Deus,
Que ouviu e atendeu meu clamor,
E também recorri aos Santos Seus,
A pedir o seu alívio da minha dor,
E agradeci a boa ajuda dos meus.

Passei muitas dores em desespero,
Que me abalavam os sentimentos,
Agora trato a saúde com esmero,
Já tenho muito menos tormentos,
E passar melhores dias, eu espero.

Mas, rezo ao meu Deus e Senhor,
Por ter ainda a vontade de viver;
Já não peço me faça mais cantor,
Pois não sinto condições de o ser,
E vou-Lhe rezar com mais fervor.

Também já vivo mais optimista!
A ver passar melhor os meus dias,
Das palavras ainda me sinto artista,
Embora as mostre mais sombrias,
Mas sou feliz por ser tão realista.

Manuel Mar.
®
Torres Novas,18/06/2016

 Foto: Net

DEBAIXO DO PESO DA VIDA







































Relicário de Manuel Mar.

Debaixo do Peso da Vida!

O peso da vida me fere e esmaga,
Até meu canto se tornou ausente,
O tempo passado já não me afaga,
Trago a alma presa, tão indolente,
Que até o gosto de viver se acaba.

Por isso imploro, e devoto crente
Rezando a Deus já com lágrimas,
Me dê um resto de vida decente,
Para o alívio de minhas mágoas,
Do meu passado tão displicente.

Sinto bem a alma inconformada,
Do amor que me fechou a porta,
Tenho ainda a ferida mal sarada,
Mas essa paixão está bem morta,
Porque foi toda tão espezinhada.

Mas em vez da voz o silêncio corta
A minha alma já toda confrangida,
Em pedaços de vida quase morta,
Como que a fazer uma despedida,
Desta vida que às vezes foi torta.

A nossa vida tem cunho da gente,
Não importa nada do que passou,
Sonho derretido e pouco fulgente,
E só me importa, porque cá estou.
Quero e até ao fim ser inteligente.

Manuel Mar.
®
Torres Novas,18/06/2016

 Foto: MF

sexta-feira, 17 de junho de 2016

TUDO MUDA NA VIDA






































Relicário de Manuel Mar.

Tudo Muda na Vida!

Quando ia tomar o café outrora,
Conhecia a maioria dos clientes,
Mas está lá tudo diferente agora,
Vou todos os dias na mesma hora,
Os meus amigos andam ausentes.

Há dias estive lá quase uma hora,
Sem aparecer ninguém conhecido,
Uns acabaram e foram-se embora,
Outros devido à crise deram o fora,
Ali fiquei eu só mas até aborrecido.

Reconheço que a vida tem mudado,
Fecharam algumas boas empresas,
Muito trabalhador desempregado,
Ouvem-se queixas por todo o lado,
Falta o dinheiro para as despesas.

Até dizem que a culpada é a crise,
Peço desculpa por ter de discordar,
Mas culpa é de quem fez o deslize,
Qualquer um pode fazer a análise,
Que os 130 mil milhões foram ao ar.

Quando a empresa vai à falência,
Seja qual for o motivo ou situação,
Os culpados são todos da gerência,
E perdem tudo mas sem clemência.
O Governo dá o fora, paga a Nação.

Manuel Mar.
®
Torres Novas,18/06/2016

 Foto: Net

quinta-feira, 16 de junho de 2016

POETA NÃO QUEM QUER

























Mundo da Poesia
Autor: Manuel Mar.

Poeta não é quem quer!

Ser poeta não é apenas escrever,
Se a arte da poesia não for a sua,
Ao escrever fica pobre quase nua,
Porque só a alma o faz poeta ser.

As palavras do poeta são sentidas,
Nascem espontâneas e bem vivas,
São discretas mas sempre incisivas,
É pura beleza que as faz queridas.

É pureza consistente que faz sorrir,
Quem serenamente lê esses versos,
Tecendo cenas de pura maravilha.

Mostram a sua clara magia a fluir,
Pelos belos sentimentos expressos,
E pela graça com que os rendilha.

Torres Novas, 16/06/2016

Foto: Net

quarta-feira, 15 de junho de 2016

DEAMBULANDO PELA VIDA



























Mundo da Poesia
Autor: Manuel Mar.

Deambulando pela Vida!

Só no espelho vemos a nossa imagem,
E só no caminho damos nossos passos,
A vida é como a maravilhosa viagem,
Andamos por trilhos bons ou devassos,
E condicionados pela nossa linhagem,
Recebendo de amigos os seus abraços.

Vivemos enquanto temos a respiração,
Ansiamos ser ricos e ter muito dinheiro,
Repudiamos o que fere o nosso coração,
Corremos para chegarmos em primeiro,
A quem nos pede damos nossa opinião,
Ajudamos em tudo o amigo verdadeiro.

Somos sempre firmes buscando o amor,
Corrigimos quem no mau caminho erra
Amamos a família e Deus Nosso Senhor,
Amanhamos devidamente a nossa terra,
Perdoámos quem nos causou mal e dor,
Mas repudiamos o terrorismo e a guerra.

Torres Novas, 15/06/2016

Foto:Net

A VIDA RODOPIA







































Mundo da Poesia
Autor: Manuel Mar.

A Vida Rodopia!

Quando era jovem tinha aspirações,
E desejava ter os meus dezoito anos,
De ser depressa maior, tinha planos,
Tinha, a cabeça cheia de confusões.

Já não gostava nada de ser pequeno,
E andar sempre a fugir dos matulões,
Não me deixavam ir à rua aos serões,
Ficava lá em casa, impávido e sereno.

Mas esta vida rodopia de tal maneira,
Que tinha vinte e oito quando lembrei,
Aquela antiga aspiração da juventude.

Já antes disso tinha feito tanta asneira,
Era casado, dois filhos e boa vida de rei,
A vida rodopia e mudamos de atitude.

Torres Novas, 15/06/2016

Foto: Net